Que beleza!

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Em cima da cama: duas blusas do avesso, duas calças, três cintos, 90% dos colares e pulseiras da casa – os outros 10% pendurados nos filhos e nos brinquedos deles. Cinco pares de sapato forrando o chão. Uma mulher semi-vestida e irritada andando pela casa, procurando zerar as tarefas pendentes antes de sair, enquanto torce para ter alguma visão milagrosa do look do sábado. Cada vez mais atrasada.

O marido pergunta se pode ajudar em algo. Escuta que, por favor, desapareçam. Mas ela estava linda, porque tirou aquela roupa? E ela argumenta com algumas questões vã filosóficas e emenda algo sobre a flacidez. Eles desaparecem.

Minutos depois, ela recupera a última gargantilha (na cintura do pequeno) e, já calçada, põe a bolsa nos ombros. Vamos?

Aproxima-se do marido, com a cabeça baixa. Abraçam-se e sussurram particularidades. Assim permanecem. Sentem o calor de um corpinho que se apóia neles, um bracinho no bumbum de cada um, o rosto nas barrigas. Escutam passinhos saltitantes em sua direção e o brado: “TI-A-MÓ!” Começam a gargalhar, ainda abraçados. O pequeno abraça por cima. Os quatro declaram seu mútuo amor e riem.

Enquanto apanham as malas e as chaves, o mais velho resume: “agora o que importa não é a roupa, é o amor!”. Ela sorri. Está linda.

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