Cookies de banana

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Tínhamos meia dúzia de bananas totalmente pintadas de preto. Então decidi que mais tarde faria uns cookies de banana com aveia, para aproveitá-las.

 Qual não foi minha surpresa quando cheguei da academia e descobri que quatro delas haviam sido milagrosamente consumidas pela manhã? Só porque as frutas da casa resumiam-se a dois limões, três fatias de abacaxi (sobraram as mais azedas) e quatro ameixas pretas – mas essas não contam, porque estavam na geladeira, sinônimo de invisibilidade.

Ok, a receita leva mesmo duas bananas. Mãos lavadas à obra! Davi, de novo, não quer lavar as mãos. Me garante que consegue sim mexer a massa mesmo com as mãos sujas. A contragosto, os dois tiveram suas mini mãozinhas lavadas – sem argumentações da minha parte e da parte do Pi.

Dessa vez decidi que não ia gritar durante nossa sessão culinária. Duas providências viabilizariam a intenção: (a)pedido expresso de auxílio a Nossa Senhora, (b) planejamento de atividades para manter os meninos entretidos e não gritando ou me pedindo coisas.

Mas eles são muito rápidos. E muito do contra. A brilhante idéia de dar as bananas para o Pi descascar originou choro sentido, porque não deixei  que ele as comesse. Então ele também não as descascou.

A brilhante idéia de dar batatas para o Davi lavar ocupou-o por tão poucos instantes que eu nem tive tempo de esquecer o que eram aquelas batatas molhadas – que nenhuma relação travavam com cookies de banana, a bem da verdade.

E assim foram as respostas às minhas propostas: ou faziam rápido demais (leia-se mal demais), ou recusavam-se a fazer. E sempre, sempre, a tarefa do irmão parecia muito mais legal. E a da mamãe, então, nem se fala.

[Mas ontem tive uma autopercepção de limite tão satisfatória – quando disse para o Davi: “cola você usa com as suas avós, com a mamãe não dá”- que resolvi mergulhar nessa aventura de perceber os meus limites e decidi que os ovos sou eu que quebro. Fim.]

Alguns momentos iluminados salvaram-se de pedidos, resmungos, poses desastrosas sobre banquinhos e cadeirão e roubo de objetos das mãos alheias:

– o momento em que os dois ficaram comendo Honey Nut’os (tá, tá, vai);

– o momento em que os dois ficaram comendo fatias de pepino japonês (!!!  Depois do sucrilhos!!!  E repetiram muito!!! E o Pi teve ‘aiai dói baída!’ mas nem me senti mal com isso!!!);

– o momento em que o Pi fez uma torre com as forminhas de silicone que eu pedi que ele distribuísse na assadeira;

– o momento em que o Davi “montou”, ups, “untou” a forma;

– o momento em que o Pi me ajudou a colocar os ingredientes medidos na tigela (obs: este momento deve ser considerado apenas a partir do ponto descrito, excluir os instantes anteriores, em que ele fazia bolhinhas de saliva por reação ao nojo que sentiu do fermento em pó);

– o momento em que o Davi ajudou a espalhar a farinha sobre a forma untada dando nela batidinhas fofas com o lado da mão (obs: este momento deve ser considerado apenas a partir do ponto descrito, excluir o instante anterior, em que ele espirrou sobre a forma untada, que teve que ser lavada e novamente untada);

– o momento em que os dois educada e pacientemente mexeram a massa dos biscoitos com um garfo, ao som de “eu! Eu! Eu! Eu! É meu! Té pomê!” e “mas afinal essa massa é mesmo muito dura hein, mamãe!”

Enfim, os cookies ficaram prontos e cheirosos.

Muitas outras coisas deram certo. O almoço foi simultaneamente confeccionado. E saiu. E eles comeram a comida e não os cookies.E já temos o lanche da tarde prontinho.

Bom saber: Nossa Senhora dá plantão ao final das manhãs de segunda-feira.

Escrito em setembro/2011.

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