Davi e Pedro?

Padrão

Há trinta anos um tinha cabelo grosso e o outro loiro aguado

Os dois se abraçavam fraternalmente

O mais novo imitava o mais velho

Choravam de ciúme e injustiça

Assistiam juntos

Dormiam em camas vizinhas

Dividiam milimetricamente o suco e o chocolate

Um ganhava pela força e outro pelo choro

Um chutava a gol, prepotente, e o outro agarrava, subserviente

O pequeno vidrava na sabedoria do grande

O grande babava no despachamento do pequeno

E eu asistia tudo

Cortava o barato deles

Caia na gargalhada junto

Não entendia nada

Era a menina intrusa

A menina preferida

A maior de todos

Que tanto os amava

Que não aguentava as teimosias

Nem as birras

Nem a crueldade que eles conseguiam ter juntos

E que (mesmo que só quando ninguém estivesse olhando) ganhava o privilégio do amor deles.

Que nem hoje…

________________________

(O avô chega apressado na natação e pergunta para a recepcionista: “O Luis Ricardo e o Vitor já chegaram?”. Totalmente compreensível, Pá.)

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