Plenitude

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O protetor solar infantil faz minhas mãos arderem porque cheiro de uva. Cheiro não, aroma, palavra pelo qual o Davi está perdidamente apaixonado.

Estranho lembrar isso em pleno mês de julho, mas esta tarde tivemos férias de verão no clube. Céu azul, sol ardente, filhos saudáveis brincando com água e areia. Até tomar um açaí nós arriscamos. Foi bom!

Vi o Pedro ter medo de descer pelo tobogã sem dar as mãos. Depois o vi subir pela mesma rampa com todo equilíbrio e coragem, “sem azuda!”. Ensinei-o sobre o perigo que é passar atrás das balanças, e dessa vez eu acho que ele registrou. Já abre as torneiras sozinho e, para meu estupefato orgulho, as fechas em seguida.

Vi o Davi ter vergonha de pedir um bolinho de lama às três meninas grandes que brincavam juntas. Depois o vi chegar com um deles na palma da mão e um sorriso largo no rosto. Brincou de pega-pega com novos amigos, correndo deles e de mim. Deu todo seu suor e depois disso ficou muito dócil aos meus limites.

Só não foi de verão o vento frio que começou a gelar as camisetinhas enlameadas… Antes das cinco já estavam cheirando a sabonete e exibindo aquela carinha glostora deliciosa.

Brincaram juntos de “siconde-conde” enquanto eu lia e a tarde caía.  Trouxeram-me folhas secas. Insistiram que eu as colocasse no cabelo. Despistei-os tirando meu elástico e deixando-me derreter pelos sorrisos encantados que surgem em seus rostinhos angelicais quando eu faço isso. E em seguida assisti suas gargalhadas nervosas diante da “mãe sem cara”.

Entramos no carro jantados com as galinhas e gratos pela companhia um do outro. Conversando comigo sobre as igrejas que quer conhecer, o Davi dormiu no caminho. O Pi chegou em casa bem acordado, lúcido a ponto de discutir no elevador com a vizinha que perguntou se ele também já iria dormir. Pegou no sono em sua caminha, com os pés de pelúcia do Tyrone sobre os olhinhos.

E eu já estou com saudade dos pescocinhos cheirosos de filho, dos sotaques argumentativos e dos neologismos, do jeito como me beijam e abraçam e de seus olhos brilhantes fincados nos meus. Plenitude.

 

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Uma resposta »

  1. Mas não é que sentimos mesmo saudade de algo que ainda não acabou??? Também me pego assim, olhando para alguma expressão dele, alguma palavra com uma voz diferente… e tentando gravar o momento para lembrar quando sentir – de fato – saudade. Que loucura isso, queremos vê-los crescendo, exatamente assim, saudáveis, espertos, felizes…mas queremos que isso dure muito mais do que acontece realmente. Beijinhos.

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