Lobo bom

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Lobo bomAbre a porta de casa o homem da minha vida sem ninguém nos braços. Cadê o caçulinha que deveria estar ali, capotado? Antes mesmo que eu trace minhas hipóteses, irrompe corredor adentro a alegria em forma de gente, barulho dos passinhos marcando o chão, de tênis e pijama. Me vejo agachada e sorridente, preenche meus braços abertos um abraço loirinho. “Mamãe…”.

Sorriso, olhos fundos de sono, pele branca e suave, capuz vermelho até a testa. “Você conta historinha?” Desligo minha comédia romântica, que importância ela tem agora? Beijo o crianço adormecido no carrinho menor que ele, beijo o pai de todos, cheiro de escritório, barba por fazer, promessas para esta noite.

Sentamos no sofá, eu, meu albininho e dois volumes. Ele sabe pular como um macaco, correr como um cachorro, nadar como um golfinho, voar como uma borboleta. “Mas só com alguém me segurando, né, mã?”. Marchar como um elefante pesado ele não sabe. E ele também não tem tromba, só nariz.

“Vem falar boa noite pro papai”. “Eu vou levar o lobo!”. O homem na cadeira giratória sente a aproximação do meio metro. Mãos e pés escondidos pelo azul do pijama recém herdado do irmão. Cabeça escondida até os olhos pelo chapéu de lobo mau. “Boa noite, papai”, ele diz, empinando o narizinho para enxergar por baixo da fantasia. Risos e beijoca doce depois, o pai responde: “Boa noite, seu cara de lobo!”. Para garantir os próximos risos, escuta de uma cara bem brava, incorporando a personagem: “boa noite, seeeu… careta de pipoca!”.

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