Os odres

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Os odres

Queridão, hoje vi seus meninos trabaiando no porôn. O Vardí e o Roberto.
(Faltam grafemas para transcrever os seus tão típicos fones, mas os escuto enquanto digito.)
Não tinham os pés descalços nem o dorso nu como você teria. Você não correria o risco de manchar de tinto uma camisa branca.
Engarrafaram vinho velho em odres novos. Com rolhas novas. E com umas capsulinhas, que tentavam moldar esquentando no fogo baixo de uma das seis bocas do fogão mágico da vó.
Vinho velho não, vô, vinho bão. Pra quem gosta é bão.
Soube da uva cabernet, que vocês compraram caro uma vez. Daria um vinho especial, mas só depois de dois anos. Uns seis já se passaram e deu vinagre. Paciência. Ganhei um litro do vinagre. Experimentei molhando o dedinho num fundo de copo. Não foi a minha primeira vez.
O que mais gostei de ver foi uma coisa chamada madre, uma geléia que eu pensei que fosse a borra, mas, quando mexi, vi que é mais interessante ainda. Minhas mãos estão azedas até agora, vô, de tanto que examinei aquela meleca intrigante, sem a qual não se tem o produto. Achei parecido com uma placenta e fiquei tocada. Ainda mais no meio daquele vermelho todo. Tão lindo.
A natureza que você sempre amou é muito encantadora, vô. Eu queria ter sido uma menina mais curiosa, para aprender muito mais com você. Mas sei que sempre é tempo. Temos outros “odres” velhos aqui, à disposição, para nos despertar novas perguntas. E uma vida eterna para encontrar as respostas. Não é?

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