Arquivo mensal: maio 2014

A treze de maio

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A treze de maio

No dia de hoje os ventos trouxeram vozes. Logo às sete, preparando os meninos para a escola, “Ave, ave, ave Maria” entrou pela janela da cozinha. E fomos com ela para a escola, cantando e contando sobre a Imaculada Conceição.
Às nove, trabalhando no computador, “a três pastorinhos cercada de luz visita a Maria, a mãe de Jesus”, entrou pela janela do escritório. Os ruídos da cidade confundiram as notas musicais e trechos da canção pareciam um rádio fora de estação.
Ao meio dia, “a Virgem lhes manda o terço rezar a fim de alcançarem da guerra o findar” eu escutei de dentro do carro, enquanto me benzia, rumo ao reencontro com meus pequenos.
Às três da tarde, saí correndo do banho e chamei os dois para ouvirem o povo cantar, pela janela do banheiro. Entre ventos contrários e vozes de criança calçando os sapatos, escutamos trechos isolados do canto de piedade. Saimos de carro novamente, perguntando e respondendo sobre os muitos nomes de Maria e sobre a Cova da Iria.
Às sete da noite não estava por perto para os ventos me alcançarem, mas estava satisfeita sabendo que o vovô estava com os meninos na quermesse festiva de 13 de maio.
Voltei para casa às nove. Cansada do trabalho e dividida pela necessária ausência da paróquia do meu quintal nesta data especial. Passei o dia fazendo memória, mas meu desejo era por mais.
E, na última esquina, com a doce bondade da maternidade, a imagem da Mãe do Céu colocou-se a minha frente, rodeada pelos paroquianos meus vizinhos e pelo lume reluzente nas mãos de cada um deles. “Com estes cuidados a mãe amorosa do céu vem os filhos salvar carinhosa”. Cantamos, então juntos, a gratidão por Sua Presença.
Caminhei com eles, pés ardendo sobre o salto. E os ventos que levavam o som dos fogos de artifício à janela do quarto em que dormiam meus filhos soprou também todas as nuvens, de forma que as coloridas faíscas luminosas riscadas no céu tiveram em seu centro uma metafórica lua cheia.