Gratidão

Padrão

Correndo moleque até o portão da casa dos avós, veio receber os amigos. Menor degrau da escadinha, trepou, pulou, pedalou e rolou de rir tanto quanto os visitas.
Prendendo o pula-pula entre meus joelhos, deixei segurar minhas mãos com suas mãozinhas quentes, e vi os pezinhos encobertos pela barra exagerada da calça escalarem até o topo. Pulou animada e deliciosamente, fios grossos de cabelo dançando com ele. Sorrindo rasgado, olhando em meus olhos. Gritava gritinhos finos e, covinhas a postos, sorria mais um pouco direto para dentro da minha alma.
Chegada a hora do lanche, sentou-se sobre almofada e cadeira, quase alcançando a mesa com o queixo. Pedia insistentemente aos avós que o aproximassem, e muitos movimentos depois entenderam que ele queria chegar mais perto do amiguinho loiro – e não da refeição. Satisfeito com a aproximação, segurou a branca mão do menino da cadeira ao lado. “Ele é seu amigo?”, respondeu que sim. Foi quanto contei: “a mãe dele e a sua mãe são amigas igual a vocês”. Boquinha abriu intrigada. “Quem é a mãe dele?”, provoquei. E vi elevar-se centímetro em minha direção um dedinho de unha desenhada.
Na despedida pedi um abraço, e no quentinho macio do seu peito senti matar um pedaço da saudade que tenho de ter amiga pequena pra tomar lanche de mãos dadas. De pular no pula-pula flutuando num olhar confiado. Misturei-me no abraço dele e ele não teve pressa. Tanta ternura, atravessando gerações. Bateu mãozinha em minhas costas, me deixando suspirar seu colo. Até me preencher de gratidão.

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