Caracóis

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Caracóis dourados reclinaram no meu ombro logo após nosso encontro.

Negros caracóis aceitaram meu beijinho, mas mantiveram a distância segura que costumam praticar.

Caracóis dourados pulularam rindo com meus filhos, emolduraram sorrisos diante de minhas provocações.

Negros caracóis trepidaram, ambivalentes, no chacoalhar de minhas pernas.

Caracóis dourados adormeceram falando comigo, partilhando um tão honroso passeio vespertino.

Negros caracóis, depois de transpassarem meus olhos com toda sede que têm, finalmente confiaram na minha voz e penderam, transpirando, na curva resistente do meu braço.

Caracóis dourados despertaram chamando meu nome.

Negros caracóis de mim correram ao acordar.

Caracóis dourados fugiram de meus dedos e, sapecas, afirmaram querer ficar bagunçados.

Negros caracóis a mim sorriram cúmplices na despedida afetuosa.

Não tenho caracóis. Mas ontem tive.

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