Arquivo da categoria: Presentinhos feitos de poesia

A letra enfeita

A palavra desbrava

Que a frase extravase

O universo do verso

Tu

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No teu balanceio, mistério
Tua risada me atravessa
No meu colo quente, suspira
Te olho e o que vejo é promessa

Entregue à tua brincadeira
Espero teu tempo passar
Imito e me vejo imitada
Tua força consigo espelhar

Furtivo o olhar que resgato
A voz silencia no ser
Teu tom toma conta do espaço
Estar junto a ti é crescer

Com muita gratidão às crianças que permitem que eu me desdobre para entrarmos em relação.
2 de abril, dia Mundial da Conscientização sobre o Autismo.

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Supera, a luz do amor, nossos escuros?

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No profundo do tempo, na primeira criação, “faça-se a luz”.
Nos crescimentos mais singelos, a direção é a luz.
A quem nasce, é “dada a luz”.
A quem melhor quer ver, “mais luz”.
Ao que suplica soluções, “uma luz”.
Há corpos celestes que emitem luz, há corpos celestes que a refletem.
A vida que vemos é luz, como é de luz a que julgamos não ver.
E se ligamos nossos vazios e nossos medos ao escuro, a ele também ligamos nossas solidões.
São mais luminosos os caminhos que fazemos acompanhados.
As veredas desenhadas a dois são mais seguras.
Mais fulgurantes as estradas partilhadas.
Uma gota solitária transparece alguma luz, mas é no brilho de muitas que se faz o arco-íris.
No brilho das amizades estão os nossos melhores risos e a claridade das boas trocas onde o melhor aprendemos.
Se como solitária flauta temos beleza, a mais forte e bela orquestra seremos se aliados.
Então nossa alma está sempre disposta ao abraço.
Bendito o abraço que ilumina.
Bendito o afago que faz nosso coração luminosamente mais doável.
Bendita a palavra que aponta para a luz de um novo dia.
Benditas as mãos que fazem cintilar a ternura divina.
Há uma generosa geografia que, vagalumeando as paisagens, forma pares; com pincéis de sol sublinha o encantamento, faz novas auroras. Incendiados os afetos funda, aqui na terra, exato céu.
E quando a voz dos sinos anuncia esse acontecimento, leva nossos corações a aplaudirem.
Quando a voz dos sinos anuncia que, na constelação de amigos, duas estrelas unem suas cintilâncias, fazemos festa: que os anjos teçam luminosos dias ao par que vemos!
Que “ela” e “ele” escrevam novos salmos na branca folha hoje inaugurada.
Que todos nós guardemos vívido sol a oferecer-lhes reconsolando-os das chuvas.
Que a chama de seus castiçais jamais se gaste, eterna acenda!
Que quando os olhos, molhados de lembranças, trouxerem a saudade desse dia, possamos repetir: “sim! A luz do amor supera nossos escuros!”

Texto de Cecília Inês Vertamatti, que ganhamos de presente há exatos 8 anos.
Obrigada pelas palavras, mãe.
Obrigada pela jornada, Digo.

Quem?

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Quero colo e calor.
E o som ritmado de um coração cheio de amor.

Preciso de toque e de pele.
E de alguém que me espere.

Preciso muito de presença.
De um conforto quente, tempo e paciência.

Quero um sono reparador.
E alguém que me defenda com fervor.

Às vezes sinto que só sei chorar.
E quero alguém para me consolar.

Com um puro e verdadeiro abraço
Acolher-me no meu cansaço.

Mas hoje, não sou um bebê.
Sou uma mãe. Sou eu e sou você.

Irreversível

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O sim que eu disse há dez anos
Não livre de enganos
Mudou os meus planos

O sim que eu falei encantada
Muito apaixonada
Matou a charada

De muitas respostas possíveis
Meus irreversíveis
Olhos tão sensíveis

Cederam à grande evidência:
Naquela aparência
A Sua presença

Quando criou meu coração
Meu Deus, devoção,
Colocou vocação

E disse em silêncio suspenso
“Vai lá minha filha
Ter sua família”

A vida não é brincadeira
É uma longa ladeira
É luta verdadeira

O sim de dez anos atrás
Depois de muitos ais
Hoje vale até mais

Estamos de tudo cientes,
E tantos presentes
Tornaram urgente

O agradecimento acurado
Por ter ao meu lado
O meu namorado!

Feliz dia dos namorados, Neguinho!

Suco de cajá

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Na escola foi surpresa:

Suco novo ali na mesa

Amarelo ou marrom?

Diferente, mas é bom!

 

Um menino tomou tudo,

Tinha paladar sortudo!

O outro só provou,

Do azedinho não gostou

 

A mamãe olhou na agenda

E perguntou para os filhotes

“Mamãezinha, isso é lenda

Fruta nova assim não pode”

 

Então discutiram muito

Sobre o sabor do suco

Caju ou maracujá?

Ninguém sabia do cajá

 

Mas mamãe foi curiosa

E montou a sua equipe

Para investigar as frutas

(Só faltou um piquenique)

 

Olhamos no dicionário

Fotos no computador

E montamos um trabalho

Do qual todo mundo gostou

 

Venham cá,  já!

Vai ter suco de cajá!

Quem quer experimentar?

 

Elaborado por Davi e Pedro Belini, no dia 05/02/2013 – quando conheceram o suco de cajá – e pela mamãe Aline.

Mais um ano na lista dos bem vividos

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“Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem?” (Confúcio)

 

Cê tenta estimar: 30 anos, com tanta energia, sentada no chão

Cê tenta acertar: uns 50? Prata no cabelo, ouro no coração…

 

Cê tenta encontrar uma irmã, uma esposa, uma filha, de dedicação

Cê tenta entender essa mãe, essa tia, essa avó é um camaleão

 

Cê tenta cuidar-nos pra sempre, levando no colo, qual os cangurus

Cê tenta bordar ponto cruz, tecer uma vida louvando a Jesus!

 

“Cada um tem a idade do seu coração, da sua experiência, da sua fé.” (George Sand)

 

Salve 11/out/1942