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Verdes vítreos

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Final da década de cinquenta. Naquele início de noite, os olhos da menina prestaram toda atenção aos olhos de sua mãe. Todos os quatro verdes vítreos.
Duas das muitas primas acabavam de partir a pé, segurando, uma de cada lado, as mãos frias daquela entre muitas tias. Os olhos verdes da menina observaram-nas de costas, cada vez menores.
A visita fora corriqueira, não moravam tão longe. Brincaram juntas no quintal de terra, ouviram palavras adultas comuns nas vozes de suas mães, caiu a tarde, caíram as temperaturas.
Antes da despedida, a menina observou os longos braços das parentas, sempre pelados. Correu até o quarto e pegou suas duas blusas quentes. Entregou a elas, livre como seu coraçãozinho caçula.
As primas vestiram e sorriram. “Pode ficar”, escutaram. Seguraram as mãos frias da tia e partiram, cada vez menores foram ficando as duas blusas quentes da menina.
Escurecia. “Você viu o que você fez?”, a menina ouviu a voz da mãe perguntar. Não existiam outras blusas. “E agora, como você vai ficar?”. Foram perguntas. Questões simplesmente apresentadas pelos olhos verdes vítreos da mãe, direto para os seus.
Ela prestou toda atenção. Nunca mais se esqueceu disso. E ficou bem.

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Para tia Neusa. Com amor.

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