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Antevéspera

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Não tenho soluços com muita frequência. Mas hoje exagerei no sorvete, já passava da hora de dormirem. E fui levá-los para a cama dando tranquinhos.
Escolhemos livrinhos natalinos – tão importante é a véspera do Natal, que arrasta seu valor para a antevéspera. Queria silêncio e atenção para ler uma crônica nova, daquelas que me emocionam. Mas eu mesma não me deixava começar, com o burp subindo descompassado.
Já ficando irritada, tampei nariz e boca, bochechas infladas, numa tentativa de acalmar meu diafragma desregulado. Riram de mim. Ri deles, corados de dezembro, penteados e sonolentos.
Resolvi começar mesmo assim e entre sílabas e saltitos li para meus meninos lindos, intrigados com meus pulos e com a história do Papai Noel que foi tomar cerveja na cozinha. O pequeno, a cada engraçada interrupção do meu fluxo de voz, chegava mais perto seus olhos atentos e arregalados. O grande, a cada gargalhada conjunta, deixava exalar sapequice e um riso maduro que ano passado não estava ali.
Olhamo-nos e rimo-nos, divertimo-nos; tive um bom álibi para disfarçar os nós que surgiam em minha garganta turbulenta – quer pelas palavras de Veríssimo, quer pela cena querida: pijaminhas de trás para a frente e rostinhos contentes só esperando disparar a próxima gargalhada.
Já em vinte e três de dezembro aconteceu a nossa noite feliz.

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Davi e os livros – um aperitivo direto do túnel do tempo

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Davi completará três anos daqui a algumas semanas. Foi ao cinema pela primeira vez recentemente, assistiu “Tói Tói Teis”. Movido pela história, aceitou, a convite dos pais, separar alguns brinquedos para doação. Mas, dentre seus livrinhos, não conseguiu eleger nenhum.
O “Festival de Livros”, que costumamos realizar durante fases amigáveis antes de dormir, acrescenta aos livros mais um pouco do investimento afetivo que eles – e o Davi a reboque – recebem quando a mamãe finalmente senta no sofá e não levanta até que a leitura termine (uma, duas ou três vezes seguidas).
Não penas os livros, mas também a leitura, já tem dito muito para ele. No restaurante, passa o dedinho sobre os grandes títulos do cardápio e diz: “O papai vai querer car-ni-nha. E a mamãe es-pi-náfi”. Usa a leitura para nos agradar, assim como nós a usamos para agradá-lo.
Que sua relação com os livros seja sempre prazerosa e afetiva!

Texto escrito em julho de 2010.
Publicado em homenagem ao Dia Nacional do Livro Infantil, comemorado esta semana.