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Palmas para ele

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“Faz massagem no meu pé?”, foi o último pedido feito hoje pelo aniversariante do dia.

“Faço, qual música você quer que eu cante?”

Olhou para cima soltando um “é…” mimoso e me encarou sorridente e entusiasmado para responder, com os olhos apertados de sapeca: “Parabéns a você!”

Mediante os protestos debochados do irmão, que atestou que essa não era uma “música de dormir”, portou-se como se espera de um serzinho pronto para relaxar: semblante sério, olhos fechados, mãos ao longo do corpo… que logo começaram a batucar progressivamente no colchão e na barriga, até se encontrarem ritmadamente, palma a palma.

Sua primeira reação do dia ao “Parabéns” foi de negação. “Não tenho teis anos, tenho drois. Só depois ou fazer teis, depois crato, depois srinco”. Quando telefonou a tia pianista, o aniversariante envergonhado tapou os olhinhos com as mãos branquelas e acompanhou cantarolando “não-não-não / não-não-não!/…” no ritmo da canção que ouvimos pelo viva voz.

Ao longo do dia, foi amolecendo à comemoração, e sensibilizando-se com os muitos carinhos e felicitações que recebeu.

Recebi os parabéns até eu, por “há três anos ter feito a proeza de pôr esse nenê em cima da cama”. Foi, sem dúvida, uma das melhores coisas que fiz na vida. Uma forma absolutamente respeitosa de receber neste mundo uma pessoa tão especial. Minha rendição à Natureza que opera sabiamente em nós.

Tantos episódios na minha relação com o Pi são feitos de entrega e totalidade, mas foi desse primeiro capítulo que me lembrei esta manhã, quando ele apareceu correndo desnorteado até que me encontrasse. E fiz questão de deitar com ele no colo, no mesmo lugarzinho da cama em que o recebi recém-nascido. Há três anos o achei tão pequenininho, e agora quase não me cabe nos braços.  Mas no meu coração sempre haverá um espaço cada vez maior para que possa aconchegar-se e bater suas palmas.

Aplausos. É isso que a Vida merece quando se trata de você, meu Pi.

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