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Programinha

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Eis que chegamos à Pinacoteca Municipal, em plena manhã de quinta feira. O guarda soltou um “pois não, senhora?” mal humorado, pronto para explicar pela milésima vez na semana que a entrada do parque de diversões é pelo outro lado.

Ou então esta pode ter sido a minha impressão, na verdade o guarda estava apenas apavorado com os meus dois guarda costas uniformizados, trajando suas camisetas do Hot Wheels e seus joelhos esfolados.

Subimos as escadas no ritmo do funcionário, e não no nosso, mas a partir do “podem ficar à vontade”, realmente ficamos. Duas exposições nos esperavam ali. Li para os meninos seus títulos, “Todas as cores do mundo” e “Hammler brincante“, e dou um doce multicolorido para quem adivinhar para qual das salas eles quiseram correr primeiro.

Vimos árvores, pássaros e pessoas xilogravados. O Davi descobriu que obras têm títulos, e perguntava cada um deles, antes mesmo de olhar para os quadros. Passamos por uma instalação com cartões de aniversário e objetos juninos, o Pi encasquetou com um chapéu de palha e foi içado por mim até encaçapar a cabecinha nele, com ajuda do Davi. Entramos na outra sala e enquanto o Pedro nomeava “póba”s e “boi”s, eu comentava como as estampas das roupas pintadas eram lindas e o Davi, neto de artista, justificava: “é porque ele quis pintar assim, mamãe”.

Antes de nossa meia horinha diferente terminar, senti os meninos como peças em exposição, interrogados, cumprimentados e elogiados pelos funcionários do local. O guarda da recepção transformou a expressão do rosto, da voz e de todo seu ser ao nos despedirmos.

Passamos pelo jardim de esculturas, que os meninos juraram que fossem brinquedos, e o Davi teve coragem para escalar o gramado íngreme até uma obra específica, “umas pernas com uma bola de espinhos”, que foi sua preferida. Minha também, já que os tais espinhos são bicos de mamadeira, e está aí um bom uso para eles.

Claro que estávamos todos ambivalentes entre ficar mais um pouco ou voltar para casa. Mas, lembrando do almoço por fazer, lancei uma proposta irrecusável: iríamos logo embora, para nós mesmos pintarmos telas, assim como os inspiradores artistas nordestino-abecedenses.

Orgulhosa por proporcionar cultura local de boa qualidade aos meus pequenos, coloco-os nas cadeirinhas do carro instigando sua memória e sua imaginação. Não estava tão difícil assim montar essa excursão digna de pré-escola com atividades correlatas e tudo. Então escuto o Davi, ansioso, dizer quais cores usaria para pintar o Super Why, seu programa preferido, assim que chegássemos. Eu querendo arrumar um programão pra eles, e o Davi querendo ficar com seu programinha de sempre. Então tá.

Escrito hoje.

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