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“Seis anos!”

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Ao chegarmos em Bofete, o Davi foi logo perguntando: “onde está o pomar de laranjas?”. Soubemos e vivenciamos pelo paladar que não é época de laranjas, que as mangas preparam-se para abundar em dezembro, que as pitangas e amoras estão no auge de sua lúdica safra e o principal: que existem os ingás. Como eu pude passar 31 anos de minha existência, e tantos deles jogando stop, sem conhecer o ingá? 

Hoje pela manhã fomos passear no pomar. Minha sogra ontem nos contava que quando criança tinha uma tartaruga à qual montava e que era tão moleca que fazia as tarefas da escola em cima de uma árvore. Esta manhã, com seus sessenta-e-sejamos-discretas-mas-parece-muito-menos, demonstrou ao Davi e a quem mais quisesse ver como se sobe numa árvore. Os primeiros passos e braçadas foram realizados, os demais, indicados.

O Davi e o Pedro têm, no pomar, uma mangueira cada um. Aos pés de cada árvore existe, respectivamente, uma plaquinha com uma joaninha e outra com uma tartaruga. Fixamos nossos esforços alpinistas na mangueira do Pi. Depois de dar as instruções, e já começando a ouvir alguns protestos entre excitados e apavorados, a vovó acalmou o Davi dizendo que ele só subiria na árvore quando tivesse uns cinco ou seis anos.

 A psicologia reversa foi muito efetiva e o baixinho começou com os porquês e com as contrapropostas. Então coloquei-o num galho confortabilíssimo, a cerca de um metro e meio de altura, com locais demarcados para assento e para apoio de cada uma das mãos. Logo começaram os gritos de súplica: “seis anos! Seis anos!”…

Já em terra firme e mais calmo, ele alegou que era muito duro para o bumbum. Se sentar no penico já é um problema para suas carninhas até então acostumadas com o fofo da fralda, que dirá um galho d’árvore.

Há pouco ocorreu outro episódio intestinal. Ou melhor, não ocorreu. Mas o Davi garantiu que quando tiver vontade de novo ele vai chamar “o papai, ou a mamãe, ou o vovô, ou a vovó, ou o Pedro. Porque o Pedro não? Porque ele não pode me ajudar?”

Escrito em dezembro de 2010.

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