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De todos os tipos

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Prometi limpá-lo 240 vezes, correspondendo ao número de vezes que me chamou do banheiro. Foi quase isso o necessário, mesmo…

– Meeeu Deus, cê ta com diarréia?!

– Porque quando a pessoa tem diarréia o cocô fica mole?

Comecei a rir, rendida pela pergunta com fim em si mesma.

– Cocô, cocô, cocô!

Adorando a cena e pensando que o motivo do meu riso fosse a palavra, ele começou a repetir, vozinha esganiçada.

– Não, filho, tô rindo da sua pergunta…

– Então não ri, responde!

– A mamãe não sabe, filho, diarréia já é cocô mole.

Mãos lavadas, voltamos para outro tipo de sujeira, a arte com hidrocores que entretia o caçula no escritório.

Arabescos de um, cruzes infinitas de outro. Borrões nos dedos, chão, porta de armário. Uma caneta vazando!

– Meeeu Deus!

– Que, mãe?! A caneta também ta com diarréia?!

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Plenitude

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O protetor solar infantil faz minhas mãos arderem porque cheiro de uva. Cheiro não, aroma, palavra pelo qual o Davi está perdidamente apaixonado.

Estranho lembrar isso em pleno mês de julho, mas esta tarde tivemos férias de verão no clube. Céu azul, sol ardente, filhos saudáveis brincando com água e areia. Até tomar um açaí nós arriscamos. Foi bom!

Vi o Pedro ter medo de descer pelo tobogã sem dar as mãos. Depois o vi subir pela mesma rampa com todo equilíbrio e coragem, “sem azuda!”. Ensinei-o sobre o perigo que é passar atrás das balanças, e dessa vez eu acho que ele registrou. Já abre as torneiras sozinho e, para meu estupefato orgulho, as fechas em seguida.

Vi o Davi ter vergonha de pedir um bolinho de lama às três meninas grandes que brincavam juntas. Depois o vi chegar com um deles na palma da mão e um sorriso largo no rosto. Brincou de pega-pega com novos amigos, correndo deles e de mim. Deu todo seu suor e depois disso ficou muito dócil aos meus limites.

Só não foi de verão o vento frio que começou a gelar as camisetinhas enlameadas… Antes das cinco já estavam cheirando a sabonete e exibindo aquela carinha glostora deliciosa.

Brincaram juntos de “siconde-conde” enquanto eu lia e a tarde caía.  Trouxeram-me folhas secas. Insistiram que eu as colocasse no cabelo. Despistei-os tirando meu elástico e deixando-me derreter pelos sorrisos encantados que surgem em seus rostinhos angelicais quando eu faço isso. E em seguida assisti suas gargalhadas nervosas diante da “mãe sem cara”.

Entramos no carro jantados com as galinhas e gratos pela companhia um do outro. Conversando comigo sobre as igrejas que quer conhecer, o Davi dormiu no caminho. O Pi chegou em casa bem acordado, lúcido a ponto de discutir no elevador com a vizinha que perguntou se ele também já iria dormir. Pegou no sono em sua caminha, com os pés de pelúcia do Tyrone sobre os olhinhos.

E eu já estou com saudade dos pescocinhos cheirosos de filho, dos sotaques argumentativos e dos neologismos, do jeito como me beijam e abraçam e de seus olhos brilhantes fincados nos meus. Plenitude.

 

Exagérese

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Nenhuma vez me disseram o nome desse troço. Tá escrito “e-caligrafiaruím-ese”. Nas idas e vindas do agendamento, eu arrisquei todas as pronúncias que me pareceram possíveis, e só ouvia em resposta um “hum” – em todos os casos. Hoje na clínica resolveram chamar de “procedimento”. Procedimento é escovar os dentes. Estacionar o carro. Dobrar um lençol de elástico…

Clínica cirúrgica, procedimento cirúrgico, sala cirúrgica, maca cirúrgica, campo cirúrgico. E eu ali, deitadinha, durinha, sensivelzinha. Para a retirada de um cisto cebáceo.

A última vez em que aconteceu algo parecido foi na despedida do meu último terceiro molar. (O quarto, então, hehe). Uns vinte e um anos, eu devia ter. E chorei a tarde inteira tomando sorvete no sofá da sala. De pura dó de mim.

Já as primeiras vezes em que passei por algo assim… Inesquecíveis: Aos quatro anos pulava na cama obstinadamente e ouvia a ameaça “cabra maluca quebra os cornos”, como um mantra dando ritmo à molequice.  Caí de testa no baú de cabeceira. Lembro da pia do banheiro cheia de gelo e sangue, e de ter manchado a jaqueta (“capinha”) branca que minha avó tinha lavado na véspera – esse detalhe é o que faz mais efeito no Davi quando conto essa história para que ele pare de pular na cama, ou obedeça, ou saiba que eu, quando criança, também pulava na cama e desobedecia: a capinha branca recém lavada toda manchada de sangue. Dias depois, fui tirar os pontos engatinhando pela calçada, por dois quarteirões, de tanta birra que eu fiz e de tanta firmeza que minha mãe teve.

Aos cinco, operei do primeiro ssisstossebásseo, que eu denominava com o charme do ceceio anterior. Cenas de terror na sala de espera, depois de muito-muito esperar, quando a enfermeira resolveu (coitada, não foi ela que resolveu isso, eu sei) que minha hora tinha chegado. Bem aquela hora, em que minha mãe tinha ido rapidinho no carro amamentar meu irmãozinho. Eu lá no colo da minha avó, de onde não queria sair em hipótese alguma, muito menos para o colo de uma desconhecida vestida de branco, que me puxava com muita força. “Não deixa eles fazerem isso comigo, vó!” – eu gritava o mais forte possível. Ela, com suas unhas vermelhas e seu colo macio, provavelmente partida entre o dever e o querer, precisou me entregar. Logo um cheirinho fumacento de morango calou meus prantos. E depois da alta eu ganhei cachorro quente e brigadeiro.

Hoje, olhando para aquele tudo branco comecei e me sentir uma verdadeira vítima. A posição paradoxal de passividade em que a gente se encontra nesses casos é demais para mim: o corpo é meu, a coxa esquerda é minha, o cisto é meu e só o que eu posso fazer é respirar e relaxar. (Para quem gagueja isso é péssimo de se ouvir. E para quem se submete a uma e-sabe-lá-o-que-de-lesão-cística também.)

Esperei, por cinco picadas, a anestesia pegar. A partir daí, só tive que abstrair do remelexo que ocorria em minha perna para iniciar uma linda viagem pelos caminhos da imaginação. É claro que foi então que me lembrei dos detalhes acima descritos, e – especialmente na parte da capinha branca, da unha vermelha e do brigadeiro – eu solucei. O que fez a enfermeira perguntar se estava tudo bem, dizer para eu respirar e para eu relaxar. Paciência.

Conheci os pequenos furinhos interrompendo o branco eterno da parede azulejada, as bolhinhas da pintura branca do suporte da luminária. Ouvi barulhinhos que tentei, em vão, ignorar. Está cortando? Está queimando? O que ele está ligando? Cocei uma coceirinha no pescoço. Tocou meu celular. Duas vezes. Pedi desculpas – uma vez só, hehe.

Lembrei de uma vez em que o otorrino da minha paciente me disse por telefone com sua irônica voz que, sabe como é, era melhor eu não acompanhar a frenectomia dela não, porque eu podia desmaiar.  Naquela oportunidade eu tentei argumentar até onde a humilhação permitia, mas hoje eu diria, muito serenamente, “o senhor tem toda razão”.

Deitada naquela maca, vendo a hora passar, eu decidi que sim, eu era forte, eu era uma profissional da saúde muito bem formada, mas livre para optar por não espiar nada que estivesse acontecendo em frente ao Dr. Dermatologista. Foi quando um movimento ocular rebelde e insubordinado fez com que eu visse uns dedos de luva sujos de sangue. Pronto! Destruiu meu sonho. Justo quando um arco íris com fim em si mesmo emoldurava minhas lúdicas imagens de esferas perfeitas e branquíssimas saindo de dentro da minha pele e flutuando para a atmosfera, compondo com o tom salmão do meu vestido uma cena digna de Jelly Jam.  

Bem, depois de tudo terminado, doctor D. foi muito nobre em me estender sua pinça com aquela… verdadeira… bola de sebo pendurada na ponta. Mais nobre que o obstetra que negou-se a me mostrar a placenta do meu filho. Será que é porque o bebê ficou só nove meses dentro de mim, enquanto que o cisto ficou logo uns vinte anos? Hum…

Sei que, oscilando entre o lugar comum do alívio pelo fim da novela cirúrgica e o temor do que meu corpo possa vir a aprontar agora, eu muito me confortei ao rezar no começo e no final de tudo a invocação a Santo Inácio de Loyola: “Dentro de Vossas chagas escondei-me”. Certamente, é das chagas e dessa súplica ao bom Jesus que vou me lembrar sempre que olhar para essa cratera em minha perna e para a cicatriz que agora faz parte da minha história.

Visceral

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Saltitou por três dias antes de só se aguentar deitado de bruços. Numa pacata tarde resolveu render-se e, pulando miudinho, anunciou: “mamãe, preciso ir no no banheiro, rápido, rápido”. Depois de ajeitado, pediu privacidade. Bateu as perninhas até saírem voando bermuda e cueca. Começou a falar sozinho. A transpirar. A espremer os olhos, morder os lábios. A gemer. A gritar.

“Tá precisando de alguma coisa?”. “Não. Aiaiai. Dói muito. Fica comigo.”. Sentei no chão, despejei as trinta histórias de que tudo o que entra sai e de que tudo termina bem, se ainda não deu certo é porque não terminou. O suor fez uma gota na pontinha do nariz.

Bracinhos doendo por apoiar na bacia, barriga doendo, bumbum doendo. Dobrei seu tronco, berrou com medo de cair. Fiz massagem na barriga, piorou a dor. Sugeri outras inutilidades, foram mesmo inúteis.

Ele negava qualquer progresso que o aroma estivesse anunciando. Pedia ajuda mecânica, mas não possuíamos vacuoextrator.

Hiponasal, avisei que ia esperar lá fora. Com braços salgados e arrepiados, ele me segurou: precisava de mim. Fiz mais um pouco do mesmo.

Saí decidida e retornei com uma folha de jornal. “Mas eu nunca fiz isso”. “Tudo tem uma primeira vez.” “Você sempre fala isso. Jornal nãaao!”.

Carreguei-o rígido e entupido. Gritou mais, transpirou mais, olhava através de mim, dor de pavor. Joelhos estirados, negava-se a debutar sobre o anúncio de geladeiras das Casas Bahia. O penico do irmão, nem pensar. Não dispomos de moita, senhor…

Berrou muito mais. Devolvi-o ao trono. Tudo igual, menos o meu estado de espírito.

O desespero e o descontrole dele refluiram até mim pelo cordão umbilical que dizem que não existe mais. Gritei, também eu desesperada: “é só um cocôooo!!!”.

Última força. Pedra na água. Arqueado, ele voltou a respirar. “Muito bom… Quero tomar uma ducha. Quero ficar com você, mamãe.”

O sertão virou mar. O vinho, água. A hora do rush, manhã de domingo. O fogo, fumaça. A trave, cisco. O urubu, meu loro. Desenfezamo-nos.

Atchim, tchim!

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Algumas coisas deram certo demais da conta hoje.

Dancei Zouk na academia. Quem? Eu. A mesma pessoa que por anos foi magnetizada pelas cadeiras mais escondidas nos bailinhos. A mesma pessoa que só consegue permanecer em uma pista de dança em festa de casamento se estiver com uma ou mais crianças no colo.

(Então aproveito a oportunidade para contar que ontem, na mesma academia, eu joguei um basquetebol daqueles. Quem? Eu! A mesma pessoa que passava horas desmarcada dentro do garrafão na quadra da escola, pulando com os braços para o alto e declamando os nomes das colegas que passavam a bola entre si enquanto me ignoravam.)

Achei uma larga vaga para estacionar o carro exatamente em frente ao consultório de nossa médica, pela primeira vez em três anos. E na sombra.

Acertei o caminho das Perdizes para a Vila Pires, apesar das obras, das placas tortas, do calor, do falatório, choratório, gritatório, reclamatório e – especialmente – do perguntatório no banco de trás.

Agarrada a um fino fio de esperança de ter em casa o remédio que o Davi precisa tomar amanhã ao despertar, sentei diante da transbordante caixinha das letras B, I, K, L e M. Um riso bufado escapou quando li logo o rótulo do terceiro frasquinho que peguei nas mãos: medicamento certo, potência certa, forma certa, dentro da validade.  

“Atchim, tchim”. Isto quer dizer “assim, sim”, “muito bem”, “certo”, “bingo”, “aê, hein!”.

Exame alienígena

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Tio médico: Vocês são Gerbelli! Seu pai é psiquiatra?

Aline: Não…

Alien: Certamente que não, nem aqui nem em Xangai, mas que ele é pratecamente um adevogado, ah, isso ele é.

Tio médico: Primeiro o Davi, senta aqui.

Davi senta quase de costas para o médico.

Tio médico: O Davi tem algum problema de saúde? Toma algum remédio? Reclama de algum problema ortopédico?

Aline: Não. Não. Não.

Ausculta o peito. Tira os sapatos, tira as meias, mostra os pés.

Tio médico: Hum… Tá precisando secar melhor o pezinho esquerdo, por causa dessas bolhinhas.

Alien: Oi? O direito não?

Tio médico: Agora o Pedro.

Pedro: Não quero.

Aline: Senta aqui.

Pedro foge e se esconde atrás da bicicleta ergométrica.

Aline: Então é a vez da mamãe.

Tira os sapatos, tira as meias, mostra os pés.

Tio médico: Você vai fazer exame também?

Alien: Apenas agora que estou descalça essa importante questão me ocorre!

Aline: Eu entro na piscina com ele na aula de bebês.

Tio médico: Ah… Mas você não nasceu em 2007, essa data tá errada? Ah, tá, é ele né… Você tem algum problema de saúde? Toma algum remédio?  Algum problema ortopédico?

Aline: Não. Não. Não.

Enquanto respondo, o Pedro se aproxima e é capturado por mim. Tiro seus sapatos, meias, solto um viiiiixi de espanto sobre a condição das frieiras.

Tio médico:  Tá com uma descamaçãozinha, né?

Aline: Então… é uma luta!

Ausculta Pedro, ausculta a mim. Enquanto isso o Davi foge com os sapatos e as meias do irmão. Devolve a prestações. Quando me vejo calçada e sem ninguém no colo, percebo que os dois estão quase montados na bicicleta ergométrica.

Tio médico: Vai parar por aí?

Alien:  Como assim cê fala, parar aqui na cadeira? Não, vamos pra natação… Já vou tirar eles daí. Ah, tá, em quantia de filhos!

Aline: Eu não gostaria de parar, mas por enquanto não vamos ter mais, não.

Tio médico: Hum… Você quer uma menina.

Aline: Olha… Eu quero, mas mesmo que só existisse menino eu teria mais um.

Tio médico: Ah, você quer ser mãe novamente.

Alien:  Quanta sensibilidade!

Aline: É.

Tio médico: Isso é uma coisa que o homem nunca sente.

Alien: Olha, tirando por lá em casa, é exatamente a parte homem que não quer ser mãe novamente.

Tio médico: Assina aqui.

Aline: Essa parte de gestação, parto, amamentação me encanta muito.

Tio médico, já guardando as fichinhas: Isso que eu falo que o homem nunca vai saber.

Eis que surge uma brecha para eu soltar meu verbo… Alguma coisa naquela consulta me deixou à vontade. Talvez o alívio por não ser filha de psiquiatra.

Aline: O Pedro nasceu em casa, foi uma experiência maravilhosa.

Tio médico: Ele?! – pega as fichinhas novamente. Inspira e vai: E foi tudo bem? Não teve nenhuma intercorrência? Ele não teve nenhum probleminha?

Aline: Sim. Não. Não.

Tio médico: O médico estava presente?

Aline: Uma parteira.

Tio médico: E você não teve nenhum problema de períneo?

Aline: Tive uma laceração de segundo grau, pequenininha, bem menor que a episio gigante do parto do Davi.

Tio médico: E quem fez a sutura, a parteira?

Aline: É. Mas se eu pudesse voltar eu deixaria sem suturar.

Tio médico: Ah… Nos Estados Unidos isso tudo é muito comum.

Alien: Pra você “o Estados Unidos” é igual “o exterior?” Não vou te dizer que na mente espacial do Davi seja assim, mas na do Pedro bem que pode ser…

Aline: É, né? Na Europa, na Holanda… Vamos meninos!

Ninguém se move. Seria mais fácil arrastar a bicicleta ergométrica.

Aline: Então tá, cês vão ficar aí, né?

Tio médico: Cês vão ficar aqui ajudando o tio a examinar os pés das pessoas?

Alien:  Cês vão ficar aqui ajudando o tio a perguntar sobre os períneos das pessoas?

Os dois saem correndo do consultório.

 

 

 

 

Febre

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 Na última tarde do ano, convivemos com um Davi corado, suado, lindo, interessado nos presépios, Papais Noeis e capivaras do condomínio onde passamos os feriados, e emotivo além da conta. Está com febre. Mas não parece estar doente.

Passo bons minutos da tarde lendo com ele nosso livrinho de fonologia. Entre “assar” e “achar”, “ganso” e “gancho”, damos boas gargalhadas de alegria e concluímos que ficamos “cheios” de orgulho pelas suas aquisições.

Horas mais tarde, depois da soneca, 38º C instalados, me vê carregando a sacola laranja na qual viajaram os tênis de festa. “Essa sacola é do uniforme da minha escola nova, que eu já vou amanhã, porque amanhã é o ano que vem”. Ah, a febre começa a explicar-se.

Passa as últimas horas do ano despenteado de suor, roupinha branca amassada sob um cobertor de soft, deitadinho no sofá da varanda. Sorri às vezes, participa do que pode, até que come. Mas o que quer mesmo é recostar-se num adulto quente e querido.

Dorme no andar de baixo do meu colo. No andar de cima está o irmão. Dois rostos lindos e angelicais, olhos brilhantes bambos ao som da minha voz cantante: “Meu amor, essa é a última oração…Pra salvar seu coração/Coração não é tão simples…nele cabe até o meu amor”.

Rosna ao ser pego no colo pelo pai, resmunga ao ser colocado na cama, choraminga bravo ao vestir o pijama. Não quer dormir ainda, não sob o temor dos fogos de logo mais. Ficamos com ele. Logo os gemidinhos de contrariedade dão lugar ao estalido da boca chupando os dedos e ao ressonar ruidoso de exaustão. Não acordam nem com os rojões do vizinho às doze badaladas.

Amanhece o primeiro dia do novo ano. A companhia dos pais prolonga o soninho. Manhã já iluminada, vejo seu rostinho descansado sorrir para mim e escuto sua doce voz anunciar: “Bom dia mamãe. Feliz ano novo. Não tô mais com febre. E olha, eu já sei falar “shhh”.

Febre explicada. Essa foi das boas. Que as outras que vierem em 2012 sejam assim tão bem intencionadas.